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Startup Portuguesa ShiftForward Comprada pela Norte-Americana Velocidi

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A ShiftForward, uma startup do Porto que desenvolve soluções tecnológicas de gestão de dados, acaba de ser comprada pela Velocidi, empresa de marketing digital com sede em Nova Iorque que presta serviços a empresas como a Mattel, Heineken, Publicis, Nielsen, BMW ou Samsung.

O fundador do negócio criado em 2011 para dar consultoria especializada em tecnologias para anúncios online, Paulo Cunha, revelou que a empresa vai adotar o nome da nova dona americana (que emprega cerca de 30 pessoas), mas manterá os escritórios na cidade Invicta, sobretudo “pelo talento e pela rede que seria complicado construir noutro sítio”.

Porém, os planos para duplicar a equipa para 20 pessoas – há contratações previstas nas áreas de engenharia, marketing e produto – vão obrigar esta startup, que não vende em Portugal e tem os principais clientes nos EUA e Alemanha, a abandonar até ao final do ano o espaço Founders Founders, na Rua da Constituição, e a procurar novo escritório na cidade. Ainda assim, o empreendedor modera o ritmo: “Em engenharia de software é importante crescer com equilíbrio.”

Em vez de gastarmos três anos e milhões de dólares, assim é mais fácil. Este investimento representa uma plataforma alternativa. David Dunne, CEO da Velocidi

Este negócio significa, por outro lado, uma operação de “exit” para a Portugal Ventures, que no final de 2014 tinha liderado uma ronda de investimento no valor de um milhão de euros, juntamente com os “business angels” Florian Heinemann e Brian Fitzpatrick. O líder da capital de risco pública, Celso Guedes de Carvalho, fala numa saída natural, “atendendo ao estágio de maturidade”, e que “[confirma] o sucesso da decisão de investimento e do ‘roadmap’ que permitiu a validação” destas soluções tecnológicas nos mercados internacionais.

Da parceria à compra, “sem pressão”

David Dunne, CEO da Velocidi, ouviu falar da ShiftForward através de um empreendedor e investidor baseado em Berlim, Kasper Skou, um dos mentores da Founders Founders e criador da startup tecnológica Semasio, que lhe disse que “tinha mesmo de conhecer o Paulo”. O gestor irlandês revelou que as duas empresas se tornaram parceiras no Verão do ano passado e “rapidamente [perceberam] que as plataformas trabalhavam juntas e havia muitas sinergias”. Começaram logo em Outubro a discutir a possibilidade de aquisição, “sem a pressão para fazer o negócio”.

Sem revelar os valores envolvidos, David Dunne explicou que “este investimento representa uma plataforma alternativa”. “Em vez de gastarmos três anos e milhões de dólares, assim é mais fácil. O talento também foi crucial porque a ShiftForward tem uma equipa forte, que já provou o que vale ao fazer um produto de qualidade. Se começássemos a construir uma equipa nova não podíamos garantir que tínhamos um final tão bom. E juntos podemos melhorar a nossa tecnologia”, acrescentou.

Foi em 2016 que o projeto portuense lançou o ShiftForward Private DMP, apresentado como a primeira plataforma de gestão de dados que permite aos profissionais de marketing reunir, analisar e ativar os dados dos consumidores em públicos-alvo e usá-los de forma segura para publicidade. Uma área de negócio que se tornou decisiva para a projeção da empresa e para o interesse da Velocidi, que na Europa apenas tinha uma pequena equipa de vendas.

“Precisávamos de fortalecer a nossa tecnologia e podemos fazê-lo aqui no Porto”, resumiu David Dunne, para quem “os timings desta fusão não podiam ser melhores”. Porquê? “Os gestores de negócio e os marketeers têm acesso a volumes de dados sem precedentes e juntos preparamos esses dados para que sejam tomadas as melhores decisões de marketing”, detalhou, prometendo levar esta tecnologia portuguesa para o outro lado do Atlântico.
Com formação na área dos sistemas de informação e computação na London Metropolitan University, Paulo Cunha trabalhou durante nove anos em Londres em empresas de publicidade digital. Até se fartar do cinzento céu britânico e achar que “fazia sentido voltar para uma cidade com este potencial de talento”. Convencido que “o Porto não estava a ser reconhecido devidamente” nesta área, o agora Chief Product Officer (CPO) da Velocidi voltou em 2009. Durante dois anos foi consultor para empresas estrangeiras e “a criação da empresa foi o seguimento natural” desse processo.

“Não estávamos à espera que a venda acontecesse tão cedo. Considerávamos uma segunda ronda de investimento para expansão.”

Paulo Cunha, CEO da ShiftForward

E era isto que imaginava quando lançou a empresa, precisamente no ano em que a Troika entrou em Portugal? “Sim e não. A partir do momento em que há investimento de capital de risco, um dos possíveis resultados era claramente este. No entanto, não estávamos à espera que fosse tão cedo. Considerávamos uma segunda ronda de investimento para expansão”, respondeu Paulo Cunha.

A parceria com a Velocidi, iniciada há menos de um ano, mostrou ao empreendedor do Norte que a venda e posterior fusão “era um caminho muito mais interessante e com menos risco” para a empresa, com Paulo Cunha a valorizar o acesso a investimento, a uma equipa de vendas já montada internacionalmente e a “pessoas como o David, com um perfil que seria difícil de atrair mais tarde”.

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